quarta-feira, 30 de maio de 2007

Batman: Cavaleiro das Trevas 2

Ouve um momento em que tudo parecia acabado para a indústria norte-americana de quadrinhos. Era a década de 80 e as coisas não iam bem: personagens pueris, roteiros beirando o ridículo, forte censura interna e nenhuma ousadia. Então, duas obras deixaram tudo de cabeça para baixo: Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, e Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, que ganha agora sua tão esperada continuação.

Em 1986, Frank Miller terminara seu premiadíssimo trabalho com o Demolidor, e propôes à DC uma reformulação em um dos maiores patrimônios da editora: Batman. O resultado foi um marco na história dos quadrinhos, dando início a uma nova era. As quatro edições originais de O Cavaleiro das Trevas tiveram acabamento de luxo, com qualidade gráfica até então jamais utilizados em HQs de super-heróis. Mas era no conteúdo e na narrativa que Miller realmente dava seu show.

Linguagem cinematográfica, uso de onomatopéias, trama absurdamente criativa, design impressionante e uma abordagem nunca vista deram à minissérie o status de uma das maiores (senão a maior) HQs de todos os tempos. Só que depois de O Cavaleiro das Trevas, Miller brigou com as grandes editoras e se enfronhou em projetos pessoais como sua aclamada Sin City. E é lógico que leitores ficaram rezando e torcendo por uma continuação da série.

Quinze anos se passaram até que as preces fossem atendidas. Está nas bancas de todo o País o primeiro capítulo de O Cavaleiro das Trevas 2. A ação se passa três anos após os acontecimentos da série original. Em um admirável mundo novo, comandado pelos Estados Unidos, Bruce Wayne questiona de que vale tudo isso se não existe liberdade plena.

Disposto a botar tudo abaixo, ele procura os velhos companheiros da Liga da Justiça, que foram retirados de ação pelo Estado. A partir daí, a minissérie ganha em ações eletrizantes. A seqüência de resgate de Eléktron é antológica. E o velho Super-Homem mais uma vez é retratado por Miller como o escoteiro pau-mandado do Tio Sam.

Comparar O Cavaleiro das Trevas 2 com a original é inevitável. As más línguas (como a de Alex Ross, da Marvel) já disseram que o único objetivo de Miller era comprar um novo apartamento. Os comentários são provocados porque não se vê, agora, o vigor estético empregado por Miller 15 anos atrás.

Aqui, seus desenhos não têm o preciosismo do passado, servindo apenas como fio condutor da história. As cores de Lyn Varley (mulher de Miller) também entregam um certo espírito caça-níqueis, uma vez que ela abriu mão de seu exímio domínio de aquarelas para utilizar o famigerado computador. O leitor sentirá falta também de Klaus Janson, o arte-finalista e velho parceiro de Miller.

Mas não vem ao caso se O Cavaleiro das Trevas 2 irá ou não revolucionar como fez a HQ original. O fato é que ele é, desde já, o melhor gibi do ano - ou mesmo o melhor em muitos anos. Afinal, Frank Miller mostra que ainda domina a narrativa e a linguagem dos quadrinhos como ninguém. É hora de colocar esses McFarlanes e Madureiras em seus devidos lugares.



Batman - o cavaleiro das trevas 2 - 1 de 3.cbr


Batman - o cavaleiro das trevas 2 - 2 de 3.cbr


Batman - o cavaleiro das trevas 2 - 3 de 3.cbr

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