quarta-feira, 20 de junho de 2007

A Morte do Super-Homem

Autores: Roger Stern, Dan Jurgens, Jerry Ordway e Louise Simonson (roteiro) e Dan Jurgens, Tom Grummet, Jon Bogdanove e Jackson Guice(desenhos) Bret Breeding, Dennis Janke, Doug Hazlewood e Denis Rodier (arte-final);

Durante sua participação no talk-show de sua amiga Cat Grant, o Super-Homem é informado que um monstro desconhecido está causando problemas no meio-oeste norte-americano.

A intervenção da Liga da Justiça da América está se mostrando incapaz de conter o avanço e o rastro de destruição insano da criatura, batizada pelo Gladiador Dourado como Apocalypse.

Um a um, os membros da Liga caem contra a criatura, obstinada em dirigir-se para Metrópolis. E o que era apenas um chamado ocasional para deter uma ameaça se mostra bem mais sério e preocupante, quando o Super-Homem se envolve na maior batalha de sua vida.

E o mundo viverá um de seus dias mais negros, quando perderá seu maior campeão.

A MORTE DO SUPER-HOMEM



Em 1992, as vendas do Super-Homem estavam baixas.
Não apenas isso, o herói perdia popularidade a cada dia para personagens com atitudes mais agressivas e era taxado como ultrapassado por muitos leitores.

A DC tentava reerguê-lo e mantê-lo no padrão de qualidade e popularidade que experimentara após a reformulação de John Byrne, que inegavelmente injetaram uma boa dose de revitalização no personagem na segunda metade dos anos 80.

A editora fez Lois e Clark namorarem, quebrou o "segredo" da identidade ao permitir que ela descobrisse que ele e o Super-Homem eram a mesma pessoa, noivou o casal, matou Luthor e trouxe seu jovem "filho" para assumir seu lugar e também a Supermoça introduzida por Byrne em seu último arco antes de deixar as aventuras do Homem de Aço, entre outras reviravoltas.

Mas o fato é que, com apenas algumas aventuras realmente boas, o herói infelizmente se enfiava em pastelões como ilhas perdidas repletas de dinossauros, trogloditas e cientistas nazistas com pedras mágicas nos últimos anos. Tramas de difícil digestão para os fãs de longa data e mais ainda para os ocasionais, que preferiam ler os mutantes da Marvel ou conferir os novos personagens da Image.

Então, a cartada derradeira para atrair novamente a atenção dos leitores e mostrar não apenas a relevância do personagem para a mídia quadrinhos, quanto seu poder junto ao público foi dada com o anúncio de que a DC iria simplesmente, matá-lo na edição Superman # 75, a mesma que estava antes programada para apresentar outro evento importante: o casamento de Clark e Lois.

Enquanto a história era tecida e os parâmetros de toda a saga eram estabelecidos, a mídia do mundo todo espalhou a notícia e a editora imprimiu em suas revistas o hoje histórico anúncio: Doomsday is coming for Superman! (O Apocalyse está vindo para o Super-Homem!). Como seria revelado depois, este era o nome do monstro que mataria o personagem.



A história é desenvolvida em sete capítulos, e apenas no último a anunciada morte acontece. Os anteriores servem para apresentar a tentativa da Liga de impedir o monstro e depois a perseguição alucinante que o Super-Homem empreende à criatura enquanto os dois vão deixando um rastro de destruição por onde passam.

A intenção clara é gerar um efeito de tensão crescente e mostrar o poder do Apocalypse, que derrota toda a Liga facilmente.

Os autores acertaram ao mostrar que, inicialmente, a ameaça é tida como algo rotineiro pelos heróis, "mais um monstro à solta" e apenas depois de um nível de destruição acima do "normal" para uma HQ, a coisa é revelada como realmente séria. Foi o modo de explicar o não-envolvimento de outros seres com níveis de poder próximos ao de Kal-El na caçada a Apocalypse.

Primeiro, a Liga resume-se a heróis do segundo escalão, oriundos da fase de Keith Giffen na direção da revista depois de serem recauchutados por Dan Jurgens, que minimizou o elemento cômico e trouxe o Super-Homem para liderar a equipe.

Besouro Azul, Máxima, Gelo, Bloodwynd, Fogo e um Guy Gardner armado com um anel energético amarelo compõem a equipe e nem de longe têm o carisma ou impacto que a formação "clássica" teria participando de um evento importante como a morte do Super-Homem.

O grupo serve apenas de "bucha de canhão", mas é inegável que a forma impressionante como Apocalypse nocauteia todos tão rápida e violentamente é chocante.

A DC tinha planos para Apocalypse no futuro, mas quando a história foi criada, ele foi desenvolvido como - nas palavras de Dan Jurgens - "uma força da natureza", um ser de pura brutalidade e desejo de destruição, só isso e nada mais.

Na parte final da revista, Kal-El abandona as tentativas de refrear o monstro e parece obstinado em incapacitá-lo de forma definitiva, culminando nos dois se esmurrando até a morte.

A construção dos personagens sempre foi o ponto alto desse período nos títulos do Super-Homem, e Jurgens, Ordway, Stern e Simonson mantêm o padrão de qualidade.
É interessante notar como o herói seguro e confiante desta edição, que afirma ao moribundo Guy "Não se preocupe, Guy, vou cuidar de tudo" (frase que resume a essência do seu comportamento obsessivo em ajudar o próximo e solucionar problemas), deu lugar ao personagem inseguro e cheio de dúvidas dos últimos anos.



Do ponto de vista artístico, A Morte do Super-Homem foi produzida numa época de excelência criativa. Dan Jurgens é tido até hoje como um dos melhores ilustradores do personagem em sua fase pós-Crise nas Infinitas Terras.
Jon Bogdanove ostentava na época o título de "sucessor espiritual de Joe Shuster" por sua representação do Homem de Aço, que em muito se assemelhava à de seu co-criador.
Tom Grummet também mantinha o bom nível dos títulos que cuidava.
Jackson Guice era o único irregular. Ele possui uma tendência ao hiper-realismo bastante interessante e sabe trabalhar fisionomias, mas quando o assunto são cenas de ação, falha seguidamente em imprimir ritmo. E como são justamente estas que compõem 90% da história...

Jurgens ainda introduziu um elemento surpresa na edição 75 de Superman, apresentando toda a revista com páginas de splash, ou seja, um painel gigante por página, somando 22 que mostram a morte do Maior Super-Herói da Terra.



É justamente este último capítulo o melhor de toda a revista.
Repleto de tensão e senso de urgência, mostrando o Super-Homem desesperadamente tentando deter Apocalypse nas ruas de Metrópolis e sendo acompanhado por Lois e Jimmy.
A decisão de focar a trama nos três personagens que são o alicerce das aventuras do kryptoniano há décadas é digna de aplausos e mostra como a história, realmente, poderia ter sido mais enxuta.


A Morte do Super-Homem é uma leitura obrigatória para qualquer fã do herói, com certeza, mas ninguém jamais se esqueceu dela nos últimos 12 anos e toda a sua repercussão e importância fazem da revista uma das mais importantes lançadas nos anos 90.




Em breve, vou postar a sequencia, desta que é a mais memorável saga do homem de aço.

4 comentários:

chaos disse...

muito bom pessoal, continuem assim
vlw
xD

alexandre disse...

Este é o melhor blog do mundo

fukk disse...

Excelente!

Rodrigo Souza disse...

amigo a parte 02 da marte do superman foi deletado do servidor. poderia corrigir isto por favor. A proposito, este site é muito bom, parabéns pelo belo trabalho.