sábado, 4 de outubro de 2008

E-Books: Angus


Angus 1 - O Primeiro Guerreiro


Angus 2 - As Cruzadas


Angus 3 - O Guerreiro de Deus

Mágica! Qual outra palavra resumiria tão bem a saga de Angus MacLachlan? As aventuras de seu clã escocês percorrem os séculos que já foram chamados de "Idade das Trevas", um tempo que insiste em permanecer no imaginário popular, em ser amado por sua fantasia e mistério. Do rei Artur à Joana D'Arc, das Cruzadas e dos cavaleiros templários a Ricardo Coração de Leão. Princesas, reis e nobres, castelos e exércitos com armaduras e espadas mágicas, druidas e celtas, magos e eremitas; florestas encantadas: nossa cultura, chamada ocidental, foi forjada nesse ambiente de conquista, de luta, e, principalmente, do desenvolvimento da religião do Cristo, a cruz como símbolo do bem e da vitória sobre o mal.
A saga que é apresentada aqui neste primeiro volume mescla uma narrativa fantástica com uma ambientação histórica centrada nas ilhas britânicas da Alta Idade Média (séculos V-IX). Orlando nos conta o surgimento e a cristianização do clã dos MacLachlan. Neste período conturbado, as ilhas passaram por um acelerado processo de barbarização e recuo do cristianismo. Com o fim do Império Romano, as populações bretãs romanizadas que ali viviam foram abandonadas à própria sorte, sofrendo migrações e ataques constantes vindos do continente desde o final do século IV. Basicamente foram três os povos germânicos invasores: anglos (provenientes do atual Slesvig), saxões (a maior parte da atual Alemanha e Dinamarca) e jutos (da Jutlândia — norte da Dinamarca, Frísia e baixo Reno). Estes povos destruíram o que restou da cultura romana na ilha.
Como a Bretanha foi a região menos romanizada durante a existência do Império Romano, a forma de dominação diferiu em alguns pontos essenciais da ocorrida no continente: os invasores conservaram e impuseram sua própria língua; mantiveram as instituições bárbaras e o direito consuetudinário, sem influência do direito, romano; estabeleceram seus próprios métodos de cultivo. Eles eram pagãos e, diferentemente dos francos, não adotaram o cristianismo. Assim, estavam livres de qualquer influência da cultura latina. Após sua instalação, guerrearam constantemente entre si.
No entanto, já no século V, a Igreja enviava missionários às ilhas. Os mais famosos foram São Patrício (c. 385-461), segundo a Crônica Anglo-Saxã, enviado pelo papa Celestino I (422-432) em 430 para "pregar o batismo entre os escotos", São Germano (378-448), São Gildas e São Columba (528-614), que criaram importantes mosteiros, responsáveis pela preservação da escrita e da cultura antiga. Seu modo de vida era muito duro e austero. Os mosteiros tinham um estilo de vida basicamente tribal. O objetivo daqueles religiosos era a fuga do mundo para buscar a elevação espiritual na solidão das florestas.
Nesse contexto histórico, Orlando dá o ponto de partida para sua narrativa. O clímax dessa primeira parte de sua saga é, em minha opinião, a conversão de Angus ao cristianismo. O herói sofre um processo de transformação psicológica de cunho ético-religioso pelas mãos do monge Nennius, que na vida real foi um importante historiador do século IX. O monge explica a Angus a natureza das virtudes e como o cristão deve tê-las a seu lado para lutar contra os pecados. Neste primeiro livro da saga, Angus ainda recebe sua espada mágica, forjada por mãos bárbaras — uma das teses mais famosas da queda do Império Romano atribui o sucesso dos bárbaros em campo de batalha à excelência de sua metalurgia. E, como se sabe, a espada foi para os medievos um instrumento recheado de simbolismo, seja pagão seja cristão. Por exemplo, para a sagração do cavaleiro, a espada simbolizava a cruz de Cristo, conforme um importante texto do século XIII sobre a cavalaria, escrito pelo filósofo Ramon Llull: "Ao cavaleiro é dada a espada, feita à semelhança da cruz para significar que, assim como nosso Senhor Jesus Cristo venceu a morte na cruz na qual tínhamos caído pelo pecado de nosso pai Adão, o cavaleiro deve vencer e destruir os inimigos da cruz com a espada. E como a espada é cortante em cada parte, e a cavalaria existe para manter a justiça, e justiça é dar a cada um o que é seu por direito, a espada do cavaleiro significa que ele mantém a cavalaria e a justiça com ela".
Em suma, espero que você, caro leitor, tenha o mesmo prazer que tive ao ler a vida do clã escocês dos MacLachlan, pois o destino dessa saga é o sucesso.
Ricardo da Costa, Professor de História Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

2 comentários:

paulo disse...

Só consegui ler o primeiro livro....o segundo parei na metade...

gustavo disse...

então. . .
"achei" este maravilhosoo aite faz pouco tempo. Tinha lido apenas o primeiro livro e agora tive a grande oportunidade de prestigiar o segundo.

vlw