sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Batman - Livro dos Mortos

Como todos lembram, ele foi o vencedor da última enquete!

Martha e Thomas Wayne arqueólogos?

Bruce Wayne inspirando-se em um obscuro deus de culturas da antiguidade, a fim de criar sua identidade como Batman?

A coleção Túnel do Tempo ficou conhecida por tirar os heróis da DC de seu lugar habitual, dando-lhes novas origens, novas nacionalidades, e até novos locais no tempo e espaço. Batman, O Livro dos Mortos, sem dúvida merece lugar de destaque.

Em dois volumes, a obra foi inspirada em diversos livros e teorias, que afirmam que há milênios existiu sobre a Terra uma avançadíssima cultura, que teria inspirado egípcios, maias, sumérios e outras antigas civilizações, que seriam apenas cópias muito simplificadas dessa civilização primordial. A HQ foi lançada pouco tempo depois que ficou conhecido o pesquisador Grahan Hancock, autor entre outros do livro As Digitais dos Deuses, onde apresenta provas da existência e destruição dessa civilização perdida, ao final da última Era Glacial, cerca de 12000 anos atrás. Esse livro é apenas um dos vários que inspiraram a HQ, cuja relação encontra-se ao final dos dois volumes da mesma.

Hancock apresentou, no Discovery Channel, há alguns anos, uma série de 3 programas onde explica sua teoria, visitando os locais onde as evidências que o apóiam podem ser encontradas.

Esses autores sem dúvida bebem na mesma fonte que o famoso Erich von Daniken, autor de Eram os Deuses Astronautas, livro considerado um dos primeiros a tratar do assunto. A história de O Livro dos Mortos começa precisamente entre os deuses, antigos astronautas que teriam vivido entre os primitivos povos da Terra milênios atrás. Somos apresentados a uma terra de maravilhas que pode ser a famosa Atlântida de Platão, diversas vezes citado na história aliás, onde se aguarda a chegada de um terrível cataclismo. Este será provocado pela mudança dos pólos, relacionada a oscilação do eixo da Terra a cada 28000 anos, fenômeno conhecido como precessão dos equinócios, causando um verdadeiro holocausto. Os deuses sabem que não podem salvar seus protegidos, os primitivos humanos que criaram e com os quais povoaram aquele mundo. Mas Osíris, o líder dos deuses, deseja transmitir conhecimentos a fim de que seus descendentes possam sobreviver ao cataclismo seguinte, em nossa época. É isso que causa desentendimento entre os deuses.

Hancock, e outros pesquisadores como Robert Bauval e Anthony West, apresentam em seus livros numerosas evidências de que povos antigos conheciam o fenômeno da precessão, que segundo eles, em seu ponto médio a cada aproximadamente 14000 anos, causaria cataclismos devastadores de alcance mundial, que teriam causado a extinção da fabulosa e misteriosa cultura-mãe da Atlântida, que hoje sobrevive apenas como lenda. O ponto de vista de Hancock e seus companheiros, é que essa civilização primordial de fato tenha deixado a nós uma mensagem, partes de sua espantosa cultura e tecnologia, codificada em grandes monumentos ao redor do mundo.

Esse é o ponto central dessa maravilhosa aventura do Cavaleiro das Trevas, quando ele se alia a uma arqueóloga autora de teorias revolucionárias, consideradas duvidosas por seus pares, a fim de descobrir o mistério sobre a morte de seus pais, e desvendar a mensagem que os “deuses” teriam deixado a seus descendentes, a todos nós.

Evidentemente, muitos interesses escusos terão que ser confrontados nesse meio tempo, enquanto, numa narrativa paralela, somos apresentados ao que teria ocorrido há mais de 12000 anos, as disputas e batalhas entre os deuses Osíris, Set, Nekhrun e Isis.

As evidências de desgaste na Esfinge de Gizé, provocadas por chuvas torrenciais milênios antes do tempo em que os egiptólogos tradicionais afirmam que o monumento foi construído, apresentadas nos livros desses autores, são as mesmas que Bruce Wayne e sua amiga arqueóloga encontram na HQ. A resistência as teorias novas e audaciosas, em ambas as realidades, é a mesma.

Saberemos buscar e entender o legado dos “deuses”? Seremos sábios de bem utilizar essas informações, quando finalmente pudermos decifrar as mensagens que nos chegam em forma de antiquíssimas lendas?

Batman, O Livro dos Mortos, é uma sensacional visão alternativa do Cavaleiro das Trevas, material obrigatório para qualquer coleção. Se encontrar os dois volumes naquela tradicional garimpagem em um sebo, não pense duas vezes em comprar.
Vale a pena!
Escrito por Renato Azevedo


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