domingo, 25 de maio de 2008

Diary of the Dead (2008) DvDRip - 708 MB

Sinopse:

Um grupo de estudantes entra numa floresta a fim de filmar uma produção de terror. Logo são surpreendidos por uma horda de zumbis de verdade. Pensando em criar o estilo "cinema-verdade", eles também pensam em utilizar os mortos para seu projeto de horror... (Lembrou um pouco Cloverfield pela forma como o filme avança, mas claro que este filme é UM MILHÃO DE VEZES MELHOR QUE A BOSTA DO Cloverfield!!!)


Curiosidades:

Diary of the Dead - Romero e sua obra prima sobre o homem e o video

Há algo de mágico numa noite chuvosa que abriga a abertura de um festival de cinema de fantasia e horror. Tudo fica ainda mais interessante quando o filme de abertura tem assinatura de um grande nome e trata justamente sobre o video e seu impacto em nossas vidas. Nesse momento de circuitos integrados de TV, Big Brother, Youtube, celulares com câmeras e afins, qualquer imagem sobre a imagem é bem-vinda. Uma conseqüência muito positiva nessa sociedade de imagens em que vivemos é a multiplicidade de opções. Não que as opções não existissem antes, mas agora tudo é muito. Se antes era complicado encontrar alguém que também gostasse de desenhos animados japoneses, agora basta você ir à porta de qualquer colégio para encontrar um grande punhado de otakus. Se antes você precisava ir a casa daquele seu primo esquisitão para ver filmes bizarros, agora você tem isso no cinema.



Iniciou-se essa semana o primeiro festival de cinema fantástico do Rio de Janeiro. Planejado e executado por apaixonados pelo cinema de horror e fantasia e patrocinado por empresas de peso. Não é uma amostra de filmes numa universidade abafada em empoeirada, o Riofan é de verdade. Para provar isso, oficializou sua abertura com o último trabalho de George Romero, Diary of the Dead (que pode ser lido como Diário, ou registro, dos mortos). Ainda sem nome oficial ou data de estréia no Brasil, a exibição do filme deixou claro que a função do Riofan é trazer as obras raras, clássicas ou contemporâneas, para o público que ainda acha que cinema é sinônimo de espanto.

Que outra época, que não essa em que o vídeo é onipresente, permitiria a existência de um festival de cinema de um único gênero e que presa pelo estranho? Hoje há filmes o suficiente de qualquer gênero para se montar um festival. Mais importante do que isso, há público. Contudo, ainda é difícil explicar para algumas pessoas certos gostos cinematográficos. Nem todos lidam bem com idéia de se gostar, por exemplo, de filmes de zumbi. Um imaginário estreito vai sempre etiquetar o filme de zumbi como um festival gratuito de imagens repulsivas e de pouca inteligência. Caso você goste do gênero, da próxima vez que ouvir um comentário assim, aplique o seu melhor olhar de desdém e afirme "você nunca viu um filme de Romero". Filme, se possível.



Que fique claro que Diary of the Dead não é o único filme inteligente de Romero. Todo a sua filmografia de zumbis é composta por ensaios sobre a condição humana. Veja que qualquer idiota pode pensar sobre a condição humana, mas só uma inteligência rara consegue fazê-lo usando zumbis, eis o grande mérito de Romero! Em Dia dos Mortos (1985), onde um grupo militar se encontra trancafiado num bunker sobrevivendo há vários meses à praga zumbi, temos uma excelente reflexão sobre a histeria e a selvageria humana mediante confinamento. Em Terra dos Mortos (2005), um ensaio sobre a revolução, a política e a corrupção. Zumbis tomam uma cidade severamente protegida quando decidem parar de dar atenção aos fogos de artifício usados para distraí-los. Agora, Diary of the Dead é, atenção, eu vou usar negrito, a melhor reflexão sobre o homem e o vídeo desde Videodrome do Cronenberg. Se você não viu Videodrome ainda corra para corrigir esse erro.

No filme, estudantes de cinema estão gravando um filme de horror quando a praga zumbi começa a assolar o mundo. O aluno que porta a câmera decide então documentar tudo que pode sobre a situação, partindo de imagens que capta dos próprios amigos frente as situações que enfrentam. O filme, portanto, acaba com uma linguagem assustadoramente documentarial, composto na maior parte por tomadas em primeira pessoa. Parte do material usado na edição do filme dentro filme é obtido na em blogs e sites de vídeo como o Youtube. Essa premissa embala diálogos precisos entre as personagens, levantando questões que passam pelo voyerismo humano, a manipulação da mídia, guerras, política exterior norte-americana e a Internet. O maior desafio dos personagens não são os zumbis, mas sim sobreviver as suas próprias diferenças práticas e ideológicas, se envolvendo em debates que mordem a platéia.

Já é esperado que um homem com tantos anos de cinema como Romero tenha uma profunda reflexão sobre o vídeo. O filme mostra a transformação que a câmera opera em quem a usa. Quando filmamos esquecemos o que somos e entendemos que a imagem é maior do que nós. A imagem deve ser gravada por que alguém vai assisti-la, a missão é clara. Nós pertencemos à câmera e não ao contrário. O que não é filmado não acontece e isso é apenas um dos momentos brilhantes do filme. O que surpreende, entretanto, é que além do pensamento sofisticado que Romero nos oferece sobre o vídeo, ele nos apresenta sua visão do que é a Internet. "Quando havia apenas dois ou três canais de informação, existiam duas ou três verdades, agora que existem infinitos canais de comunicação, existem infinitas verdades" é uma das máximas citadas no filme, transcrita aqui de forma não literal. A informação existe e está disponível, mas informação e verdade não são sinônimos, em que confiar então? A imagem pode mentir, mas ainda é nossa melhor tacada.



Todos os personagens do filme são interessantes, têm presença e força. Todos estão ali para explorar algum desejo do diretor ou reforçar uma idéia, cada um tem um propósito que guia desde as ações até suas falas com coerência. Esses diálogos e interpretações são conduzidos de forma impecável durante o filme, que intercala humor, tensão, susto, discurso e, claro, gritos e tripas, afinal, é um filme de zumbis. A edição final é uma aula sobre timing em cinema e mostra como é possível um filme conter documentário, drama e comédia em boa medida. Diary of the Dead é completo e trás tudo que Romero criou e aprimorou em vida como intelectual de cinema e zumbis. Eis outro dos méritos do diretor. Qualquer idiota pode fazer um filme que derruba estereótipos raciais, critica o abuso de poder do exército e expõe as falácias da mídia, mas Romero faz tudo isso de forma divertida, popular e acessível. Coisa de quem sabe o poder do cinema e o usa sem pudor.




3 comentários:

1 disse...

Será que vocês poderiam disponibilizar para donload os outros dois filmes do Romero?
Land Of The Dead e o Day Of The Dead Remake de 2008
Seria ótimo pois assim vocês teriam a videografia completa de Romero para os fãs aproveitarem.

Muito obrigado pela colaboração
Vocês como sempre fazendo um ótimo trabalho

Superspider disse...

Eu nem sabia que havia um remake do Day Of The Dead (Vou procurar. Sou aficcionado por filmes de zumbis). Se eu achar o Land Of The Dead em rmvb, posto aqui.

Ft disse...

esse filme é de 2007 no de 2008 ^^